ESG e gestão hídrica: os 5 indicadores de água do GRI e como provar resultado
Na sigla ESG, a água é um dos temas mais concretos do E: dá para medir, reduzir e provar. Veja o que é ESG, os 5 indicadores de água do GRI 303, como definir metas e como transformar economia de água em dado verificável no relatório.
Por T&D Sustentável 8 min de leitura
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ESG é a sigla em inglês para ambiental, social e governança, os três grupos de critérios que investidores, clientes e reguladores usam para avaliar como uma empresa lida com riscos e impactos além do resultado financeiro. A água entra sobretudo no E e é um dos temas mais concretos da agenda: dá para medir, reduzir e provar. No relatório de sustentabilidade, o padrão mais usado para isso é o GRI 303, que pede como a empresa capta, consome e descarta água.
Em resumo:
- O termo ESG ganhou corpo com o relatório Who Cares Wins, de 2004, do Pacto Global da ONU com instituições financeiras.
- Na água, o E cobre consumo, perdas e efluentes; o S, o acesso da comunidade e a saúde; o G, metas, responsáveis e prestação de contas.
- O GRI 303 tem 5 indicadores: interação com a água como recurso compartilhado, gestão dos impactos do descarte, captação, descarte e consumo.
- Meta de água que se sustenta tem linha de base, indicador por unidade, prazo e responsável.
- Resultado que vale no relatório é medido, de preferência por protocolo, como o IPMVP. A Rede D’Or publicou no relatório GRI uma redução de 16,5% no consumo em 40 hospitais.
O que é ESG?
ESG reúne três grupos de critérios. O ambiental trata de clima, água, resíduos, poluição e biodiversidade. O social, da relação com empregados, clientes, fornecedores e comunidades, dos direitos humanos à saúde e segurança. A governança, de como a empresa é dirigida: conselho, auditoria, ética, canais de denúncia e prestação de contas.
O termo ganhou corpo em 2004, com o relatório Who Cares Wins («quem se importa vence»), do Pacto Global da ONU, que propôs às instituições financeiras levar esses três temas para a análise de risco e de investimento. Desde então, a sigla saiu do mercado financeiro e chegou aos contratos, às compras e aos relatórios das empresas.
ESG e sustentabilidade andam juntos, mas não são sinônimos. Sustentabilidade é o objetivo amplo; ESG é a forma de medir e reportar o desempenho em cada tema, com indicadores que um terceiro consegue comparar e verificar.
Onde a água entra no ESG?
Nos três pilares, e com indicadores diferentes em cada um:
| Pilar | O que a água representa | Exemplos do que medir |
|---|---|---|
| Ambiental | O uso de um recurso limitado e o impacto do efluente | Captação, consumo, perdas, volume e qualidade do efluente, reúso |
| Social | O efeito da operação sobre a água de quem vive ao redor | Disputa por água na bacia, qualidade do que volta ao rio, acesso da comunidade |
| Governança | Como a empresa decide e presta contas sobre a água | Metas aprovadas, responsáveis, auditoria dos números, conformidade com outorgas e licenças |
O peso da água muda com o setor e com o lugar. Para um hospital, um hotel ou uma indústria de alimentos, ela é insumo crítico da operação; numa bacia com estresse hídrico, é também risco de continuidade e de relação com a comunidade.
Quais são os indicadores de água do GRI 303?
O GRI 303, padrão de Água e Efluentes da Global Reporting Initiative, publicado em 2018, organiza o tema em cinco indicadores. Os dois primeiros descrevem a gestão; os três últimos, os volumes, informados em megalitros (1 megalitro são 1.000 m³):
| Indicador | O que pede | De onde vem o dado |
|---|---|---|
| 303-1 Interações com a água como recurso compartilhado | Como a empresa capta, consome e descarta água, que impactos isso gera e como os trata com as partes interessadas | Mapa dos usos, das fontes e dos efluentes de cada unidade |
| 303-2 Gestão dos impactos do descarte | Os padrões mínimos de qualidade do efluente e como foram definidos | Licença ambiental, outorga de lançamento, laudos |
| 303-3 Captação | O volume captado, por tipo de fonte, inclusive em áreas com estresse hídrico | Faturas da concessionária, medidores de poço e de captação |
| 303-4 Descarte | O volume descartado, por destino | Medidores de efluente, contas de esgoto |
| 303-5 Consumo | O consumo total de água, inclusive em áreas com estresse hídrico | A diferença entre captação e descarte, sustentada por medição |
O ponto fraco da maioria dos relatórios está na terceira coluna: quando o dado vem só da fatura mensal, sem medição por unidade e por setor, o número existe, mas não explica nada. É a medição que permite mostrar onde a água foi e o que mudou.
Como definir metas de água para o ESG?
Uma meta de água que resiste à primeira pergunta do auditor tem cinco elementos:
- Linha de base. Doze a vinte e quatro meses de consumo, por unidade, com as variáveis que o explicam: ocupação, produção, clima.
- Indicador de intensidade. Consumo por leito, por refeição, por tonelada produzida ou por metro quadrado, para que o crescimento da empresa não esconda a eficiência, nem a invente.
- Prazo e alvo. Quanto reduzir e até quando, em volume e em intensidade.
- Plano. As frentes que entregam a redução: vazamentos, equipamentos, processos, reúso.
- Responsável e revisão. Quem responde pela meta e com que frequência o resultado é revisto.
O passo a passo das frentes de redução está no guia de economia de água nas empresas.
Como provar o resultado de água no relatório?
Economia de água é a água que deixou de ser consumida, e por isso não se mede diretamente: ela é a diferença entre o consumo real e o que a empresa teria consumido sem o programa, nas mesmas condições. O protocolo internacional IPMVP resolve isso com uma linha de base ajustada pelas variáveis que mudaram. Na T&D, a linha de base estatística é construída a partir do histórico de consumo da unidade e ajustada por regressão multivariada, o que torna o resultado auditável.
O exemplo mais forte vem de um relatório de terceiro. Na Rede D’Or, o projeto de eficiência hídrica da T&D reduziu o consumo em 16,5% nos 40 hospitais atendidos, com 260 mil m³ de água economizados em 2025, e o resultado foi publicado no relatório de sustentabilidade da rede, no padrão GRI. O caso completo está em case Rede D’Or: 16,5% menos água em 40 hospitais.
Para a empresa que quer conduzir a própria gestão hídrica até o relatório, o HydroDesk da T&D combina a tecnologia comprada pela empresa, a capacitação do time e a consultoria remota, numa jornada em quatro fases que chega à preparação do GRI e ao mapeamento dos ODS. No SEA 360º, a gestão continuada inclui relatórios mensais de eficiência financeira, operacional e de impacto ESG.
Pegada hídrica e ODS 6: onde entram?
São duas lentes que complementam o GRI. A pegada hídrica soma a água usada direta e indiretamente para produzir um bem, incluindo a da cadeia de fornecedores; ela explica por que um produto carrega muito mais água do que a fatura mostra. O tema está em água virtual. O ODS 6, Objetivo de Desenvolvimento Sustentável da ONU para água potável e saneamento, dá o contexto global em que as metas de água de uma empresa se encaixam. Veja os 4 ODS relacionados à economia de água.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre ESG e sustentabilidade?
Sustentabilidade é o objetivo amplo de operar sem comprometer o futuro do ambiente e das pessoas. ESG é a forma de medir e reportar esse desempenho em três pilares, ambiental, social e governança, com indicadores comparáveis, que investidores, clientes e auditores conseguem verificar.
O que é o GRI 303?
É o padrão de Água e Efluentes da Global Reporting Initiative, publicado em 2018, usado nos relatórios de sustentabilidade. Ele tem cinco indicadores: interações com a água como recurso compartilhado, gestão dos impactos do descarte, captação, descarte e consumo, com os volumes informados em megalitros.
Como medir a água para o relatório de sustentabilidade?
Comece pelas faturas e pelos medidores de cada fonte, como concessionária e poços, e some por unidade. Para explicar o número, meça por setor e acompanhe o consumo com frequência: é o que mostra onde a água foi e o que a redução mudou. Um megalitro são 1.000 m³.
O que é estresse hídrico?
É a situação de uma região em que a demanda por água pressiona a disponibilidade, com risco de falta para os usos da bacia. O GRI pede que a empresa destaque a captação e o consumo nessas áreas, e ferramentas públicas, como o Aqueduct do World Resources Institute, ajudam a identificá-las.
Por onde começar a gestão hídrica para o ESG?
Pela linha de base e pela medição: doze meses de consumo por unidade, indicadores de intensidade e um teste de vazamento. Depois vêm as metas, o plano de redução e o relatório. O caminho completo está no guia de economia de água nas empresas.
Fontes
- B3 Bora Investir, reportagem sobre a origem do ESG: o relatório Who Cares Wins, de 2004
- GRI 303: Água e Efluentes, 2018 (Global Reporting Initiative)
- GRI 303, apresentação do padrão de 2018 (Global Reporting Initiative)
- IPMVP Core Concepts, Efficiency Valuation Organization (EVO)
- Case Rede D’Or: 16,5% menos água em 40 hospitais, com os números do relatório de sustentabilidade da rede (padrão GRI, 2025)
- HydroDesk e SEA 360º da T&D
Publicado originalmente em 23 de maio de 2025. Atualizado em 15 de outubro de 2026.