Coleta e tratamento de esgoto: 90 milhões sem coleta e a meta de 2033
Cerca de 90 milhões de brasileiros não têm coleta de esgoto, e só 51,8% do esgoto gerado é tratado. Veja os números do SINISA 2024, como funciona uma estação de tratamento, o que acontece com o esgoto que vai direto para os rios, a meta de 2033 do Marco do Saneamento e como fica o esgoto da empresa.
Por T&D Sustentável 7 min de leitura
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Coleta e tratamento de esgoto são os dois serviços que tiram o esgoto de casas, comércios e indústrias e o devolvem à natureza sem poluir. No Brasil, os dois andam atrasados: em 2024, cerca de 90 milhões de pessoas, 43,3% da população, não tinham coleta, e só 51,8% do esgoto gerado foi tratado, segundo o SINISA, o sistema nacional de informações em saneamento, em levantamento do Instituto Trata Brasil. A lei manda chegar a 90% de coleta e tratamento até o fim de 2033.
Em resumo:
- Em 2024, a coleta de esgoto alcançava 56,7% da população, e o tratamento, 51,8% do esgoto gerado. A água tratada chegava a 84,1%.
- O Marco Legal do Saneamento (Lei nº 14.026/2020) fixou a meta de 99% com água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto até 31 de dezembro de 2033.
- A desigualdade é enorme: entre os 100 maiores municípios, os 20 melhores coletam 98,08% do esgoto, e os 20 piores, 28,06%.
- Esgoto sem tratamento consome o oxigênio dos rios, espalha doenças e encarece a água que as cidades captam rio abaixo.
- Na empresa, em muitas concessionárias o esgoto é cobrado sobre o volume de água medido: cada litro economizado reduz as duas parcelas da conta.
Qual a situação da coleta e do tratamento de esgoto no Brasil?
Longe da meta. O Ranking do Saneamento 2026, do Instituto Trata Brasil com a GO Associados, reúne os indicadores do SINISA de 2024:
| Indicador | Brasil em 2024 | 100 maiores municípios | Meta para 2033 |
|---|---|---|---|
| População com água tratada | 84,1% | 93,55% | 99% |
| População com coleta de esgoto | 56,7% | 76,97% | 90% |
| Esgoto tratado | 51,8% | 64,42% | 90% |
A média esconde distâncias enormes. Nos 20 melhores municípios do ranking, a coleta chega a 98,08% e o tratamento a 77,97%; nos 20 piores, a 28,06% e 28,36%. Franca, São José do Rio Preto, Campinas e Santos, todos em São Paulo, lideram e já são considerados universalizados. Em Santarém (PA), só 3,28% da população tem coleta.
Entre as capitais, só sete passam de 90% de coleta: Goiânia, São Paulo, Curitiba, Campo Grande, Brasília, Boa Vista e Belo Horizonte. Na outra ponta estão Macapá, com 14,94%, e Porto Velho, com 8,69%. Norte e Nordeste concentram as piores posições, e Sul e Sudeste, as melhores.
Como funciona o tratamento de esgoto?
Em etapas que removem, uma a uma, o que o esgoto carrega. Cada estação combina as etapas conforme o volume, o tipo de esgoto e a exigência do rio que recebe o efluente:
| Etapa | O que remove | Como |
|---|---|---|
| Preliminar | Lixo, areia e objetos grandes | Grades, peneiras e caixas de areia |
| Primária | Sólidos que afundam e gordura que flutua | Decantadores, onde o esgoto corre devagar |
| Secundária | Matéria orgânica dissolvida | Bactérias que consomem a matéria orgânica, em reatores aerados, reatores anaeróbios ou lagoas |
| Terciária | Nutrientes, como nitrogênio e fósforo, e microrganismos | Processos químicos e biológicos e desinfecção |
| Tratamento do lodo | O lodo gerado nas etapas anteriores | Adensamento, digestão e secagem antes da destinação |
A lei de saneamento já prevê que o esgoto tratado pode ter dois destinos: o lançamento no meio ambiente ou a produção de água de reúso. Em vez de voltar ao rio, o efluente tratado pode abastecer indústrias, irrigação e limpeza urbana.
O que acontece com o esgoto que não é tratado?
Ele polui o rio, o solo e a saúde de quem vive perto. Três efeitos se somam:
- O rio perde oxigênio. As bactérias que decompõem a matéria orgânica do esgoto consomem o oxigênio da água, e peixes e outros organismos morrem. O rio escurece e passa a cheirar mal.
- As doenças se espalham. Esgoto a céu aberto e água contaminada transmitem diarreias, hepatite A, verminoses e outras doenças de veiculação hídrica, que atingem sobretudo crianças.
- A água fica mais cara. Uma cidade que capta água de um rio poluído pelo esgoto de outra precisa de tratamento mais complexo, e às vezes de buscar mananciais mais distantes.
O Trata Brasil liga o atraso a efeitos que vão além da saúde: perda de produtividade no trabalho, desvalorização de imóveis, perdas no turismo e queda na qualidade de vida.
O que diz o Marco Legal do Saneamento?
A Lei nº 14.026/2020 mudou a Lei do Saneamento (Lei nº 11.445/2007) e passou a exigir, no art. 11-B, que os contratos de prestação dos serviços tenham metas que garantam o atendimento de 99% da população com água potável e de 90% com coleta e tratamento de esgotos até 31 de dezembro de 2033. Os contratos também devem ter metas de não intermitência do abastecimento, de redução de perdas e de melhoria dos processos de tratamento.
O desafio é de investimento. Segundo o Ranking do Saneamento 2026, 51 dos 100 maiores municípios investem por habitante menos da metade do que o Plano Nacional de Saneamento Básico estima necessário para universalizar os serviços, e os municípios que mais investem são justamente os que já estão perto da meta. As perdas de água tratada, a outra ponta da eficiência, estão em perdas de água: o Brasil perde 39,53% antes da torneira.
E o esgoto da empresa?
A empresa paga por ele e responde por ele. Na conta, em muitas concessionárias o esgoto é cobrado sobre o volume de água medido no hidrômetro, e por isso cada litro de água economizado reduz também a parcela de esgoto. Como ler cada campo da conta e achar cobrança errada está em fatura de água: como ler cada campo.
Na operação, o efluente de indústrias e de algumas atividades comerciais precisa cumprir padrões de lançamento, como os da Resolução CONAMA nº 430/2011, e muitas vezes passa por tratamento próprio antes de chegar à rede ou ao rio. E o efluente tratado pode virar água de reúso dentro da própria empresa, em torres de resfriamento, caldeiras, limpeza e descargas, como mostra o passo a passo de reúso de água na indústria.
A primeira economia, porém, vem antes do esgoto: usar menos água. O SEA 360º da T&D faz a implementação, sem obras, com linha de base pelo protocolo IPMVP, tecnologia de eficiência nos pontos de consumo, caça-vazamento eletrônico e reparos, e segue com a gestão continuada, com relatórios mensais de eficiência e de impacto ESG. O teto observado no programa completo é de 70% de redução no consumo.
Perguntas frequentes
Quantos brasileiros não têm coleta de esgoto?
Cerca de 90 milhões, ou 43,3% da população, em 2024, segundo o Instituto Trata Brasil com base no SINISA. No mesmo ano, mais de 30 milhões de brasileiros não tinham acesso à água tratada.
Quanto do esgoto do Brasil é tratado?
51,8% do esgoto gerado em 2024, segundo o SINISA. Nos 100 municípios mais populosos, o índice médio foi de 64,42%, ainda longe da meta de 90% para 2033.
Qual a meta do Marco Legal do Saneamento?
Atender 99% da população com água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto até 31 de dezembro de 2033, como determina o art. 11-B da Lei nº 11.445/2007, com a redação da Lei nº 14.026/2020.
Qual a diferença entre coleta e tratamento de esgoto?
A coleta retira o esgoto do imóvel e o leva pela rede; o tratamento remove a carga poluidora antes de devolvê-lo ao rio ou de transformá-lo em água de reúso. Esgoto coletado e não tratado sai da casa, mas continua poluindo o rio onde é lançado.
A empresa paga o esgoto pela conta de água?
Em muitas concessionárias, sim: o esgoto é cobrado sobre o volume de água medido. Por isso, reduzir o consumo de água reduz as duas parcelas da conta. A regra exata varia por concessionária e por categoria de cliente.
Fontes
- Instituto Trata Brasil e GO Associados. Ranking do Saneamento 2026 (SINISA, 2024), release de março de 2026: atendimento de água, coleta e tratamento de esgoto no Brasil, nos 100 maiores municípios e nas capitais, e investimentos
- Lei nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007, com a redação da Lei nº 14.026/2020, art. 3º e art. 11-B: definição de esgotamento sanitário e metas de universalização até 2033
- Resolução CONAMA nº 430, de 13 de maio de 2011: condições e padrões de lançamento de efluentes
- SEA 360º da T&D
Publicado originalmente em 25 de abril de 2024. Atualizado em 16 de outubro de 2026.