Gestão hídrica em hospitais: os 5 pontos que mais gastam água e como reduzir
Hospital não para, e a água também não. Veja os 5 pontos que mais consomem num hospital estudado pela UnB, quanto se gasta por leito, por que os vazamentos levam 10% da água, os indicadores que a gestão hídrica precisa acompanhar e como a Rede D'Or reduziu 16,5% do consumo.
Por T&D Sustentável 10 min de leitura
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- Quanto de água um hospital gasta por leito?
- Quais são os 5 pontos que mais gastam água num hospital?
- Como reduzir o consumo de água no hospital sem afetar a assistência?
- Quanto um hospital pode economizar?
- Como a Rede D’Or reduziu 16,5% do consumo de água?
- Quais indicadores a gestão hídrica do hospital deve acompanhar?
- Perguntas frequentes
- Fontes
Gestão hídrica em hospitais é medir, setor por setor e leito por leito, para onde vai a água de um prédio que funciona 24 horas, e cortar o que é perda sem tocar no que é assistência. Num hospital público de Brasília estudado pela UnB e pelo IFG, bacias sanitárias, pias de uso geral, lavadoras de roupa e pias de cozinha levaram 74% da água, e os vazamentos, outros 10%. Na Rede D’Or, o projeto de eficiência hídrica com a T&D reduziu 16,5% do consumo em 40 hospitais.
Em resumo:
- O hospital estudado em Brasília gastava 855 litros por leito por dia, 113 litros por pessoa e 11 litros por metro quadrado construído.
- Os 5 pontos que mais pesaram: bacias sanitárias (23%), pias de uso geral (18%), lavadoras de roupa (18%), pias de cozinha (15%) e vazamentos (10%).
- No Instituto do Coração, em São Paulo, só corrigir os vazamentos baixou o consumo de 1.618 para 1.158 litros por leito por dia.
- No programa de uso racional da USP, o consumo do Hospital Universitário caiu 48% entre 1998 e 2003.
- Na Rede D’Or, a redução de 16,5% somou 260 mil m³ de água economizada em 2025 e foi publicada no relatório de sustentabilidade da rede, no padrão GRI.
Quanto de água um hospital gasta por leito?
Centenas de litros por dia, e às vezes mais de mil. O indicador por leito é o mais usado para comparar hospitais, e os estudos brasileiros e estrangeiros reunidos pela UnB mostram a variação:
| Hospital | Consumo por leito por dia | Observação |
|---|---|---|
| Hospital de Apoio de Brasília (59 leitos) | 855 litros | Medição de 2018, com usos finais aparelho por aparelho |
| Instituto do Coração, São Paulo | 1.618 litros | Antes da correção dos vazamentos (1996 e 1997) |
| Instituto do Coração, São Paulo | 1.158 litros | Depois da correção dos vazamentos |
| Hospital Universitário do Oeste do Paraná | 1.243 litros | Estudo de 2012 |
| Hospital multiespecialidades na Índia | 1.093 litros | Estudo de 2016 |
O número muda com o perfil: lavanderia própria, cozinha que serve acompanhantes, centro cirúrgico, hemodiálise, laboratórios e ar-condicionado central puxam o consumo para cima. Por isso a comparação que vale é a do hospital com ele mesmo, mês a mês.
Quais são os 5 pontos que mais gastam água num hospital?
Raramente os que a gestão imagina. O estudo de Livia Santana (IFG) e Daniel Sant’Ana (UnB), publicado em 2023, mediu com sensores de vazão e contadores as torneiras, os chuveiros e as descargas de banheiros representativos do Hospital de Apoio de Brasília, além da lavanderia e da cozinha, e chegou a este retrato:
| Ponto | Parte do consumo | O que reduz |
|---|---|---|
| Bacias sanitárias | 23% | Bacia de 6 litros no lugar das de 9 que o hospital usava, regulagem das válvulas |
| Pias de uso geral (central de material, postos de enfermagem, laboratórios) | 18% | Arejador ou restritor de vazão onde o controle de infecção permitir, revisão das rotinas |
| Lavadoras de roupa | 18% | Carga completa, pesagem de cada lote, lavadora eficiente |
| Pias de cozinha | 15% | Arejador, torneira de alavanca, raspar os restos antes de lavar |
| Vazamentos | 10% | Caça ao vazamento e conserto no ponto certo |
Os 16% restantes se dividiam em chuveiros, lavatórios, piscina de fisioterapia, filtros de água, lavagem de piso e equipamentos. Por setor, quem mais consumia eram a manutenção, a lavagem e a limpeza (23%) e os banheiros dos funcionários (22%), à frente da cozinha (17%) e da assistência médica (14%).
O vazamento merece atenção à parte. Eram 13 pontos com água correndo o dia inteiro, em lavatórios, pias de cozinha, de posto de enfermagem e de sala de curativos, tanque, ducha e chuveiro, somando 4.320 litros por dia. Um único chuveiro respondia por mais da metade. Os autores associam as perdas e as vazões altas a um sistema predial antigo e desgastado.
Como reduzir o consumo de água no hospital sem afetar a assistência?
Começando pelo que não toca o paciente. A maior parte da economia está na infraestrutura:
- Medir por setor. Medidores na lavanderia, na cozinha, na central de material, na climatização e na piscina mostram onde o consumo foge do padrão. Sem eles, o hospital só vê a conta do mês.
- Caçar os vazamentos. É a medida com retorno mais rápido: no Instituto do Coração, a correção derrubou 28% do consumo por leito.
- Trocar bacias e regular válvulas. Bacia de 6 litros no lugar das antigas e válvulas de descarga reguladas atacam o maior uso final do hospital.
- Ajustar a vazão das torneiras fora das áreas assistenciais. Nas áreas de assistência, qualquer troca passa antes pela comissão de controle de infecção do hospital.
- Organizar a lavanderia. Pesar cada lote, lavar só com carga completa e avaliar lavadoras mais eficientes. Hospitais universitários no Paraná e em São Carlos já estudaram o reúso da água da lavanderia e o aproveitamento da chuva para usos não potáveis.
- Rever os equipamentos. Destiladores, autoclaves e sistemas de purificação podem descartar muita água. No programa da USP, os destiladores perdiam cerca de 50 litros de água para cada litro destilado.
- Cuidar da climatização. Nos hospitais americanos, a EPA aponta os equipamentos de refrigeração entre os maiores usos de água, ao lado das louças sanitárias, do paisagismo e dos equipamentos médicos. Torre de resfriamento sem controle do descarte gasta água à toa.
- Monitorar os reservatórios 24 horas. Num prédio que nunca fecha, o consumo da madrugada é a melhor pista de vazamento, e o alerta precisa chegar a quem pode agir.
O detalhamento do teste de vazamento, dos sinais aos equipamentos de detecção, está em vazamento oculto: 7 sinais e como achar sem quebrar parede.
Quanto um hospital pode economizar?
Os resultados publicados no Brasil vão de 15% a quase metade do consumo, conforme o ponto de partida e o que foi feito:
| Caso | O que foi feito | Resultado |
|---|---|---|
| Instituto do Coração, São Paulo | Correção de vazamentos | De 1.618 para 1.158 litros por leito por dia (28% a menos) |
| Instituto do Coração, segunda etapa | Troca por equipamentos economizadores | De 1.382 para 1.171 litros por leito por dia (15% a menos) |
| Hospital Universitário da USP | Vazamentos, equipamentos economizadores e gestão contínua | 35% a menos até 2001 e 48% até 2003 |
| Rede D’Or, 40 hospitais | Projeto de eficiência hídrica com a T&D | 16,5% a menos e 260 mil m³ economizados em 2025 |
Os autores atribuem parte da variação do Hospital Universitário à correção de um problema nos reservatórios. É mais um sinal de que, em hospital, a perda escondida costuma ser a primeira fatia da economia.
Como a Rede D’Or reduziu 16,5% do consumo de água?
Com monitoramento contínuo e correção ativa. No relatório de sustentabilidade da Rede D’Or, a plataforma TDRR da T&D aparece responsável por três frentes: o monitoramento remoto dos reservatórios, a identificação dos desvios que indicam princípio de vazamento e os alertas por aplicativo, SMS e e-mail para os responsáveis. O resultado, publicado no padrão GRI, foi a redução de 16,5% do consumo nos 40 hospitais atendidos, com 260 mil m³ de água economizada em 2025.
Márcio Botelho, supervisor de manutenção da Rede D’Or no Rio de Janeiro, resumiu assim no depoimento à T&D: «Estou satisfeito com o sistema de monitoramento e o SEA, que trouxeram redução de custos e ganhos operacionais ao hospital, alertando sobre possíveis vazamentos e controlando o consumo de água.» O caso completo está em case Rede D’Or: 16,5% menos água em 40 hospitais.
Para outros hospitais, o caminho é o mesmo: o TDRR monitora reservatórios, cisternas, bombas e o consumo hora a hora, e o SEA 360º faz a implementação, sem obras, com linha de base pelo IPMVP, caça-vazamento eletrônico, reparos e capacitação da manutenção, seguida da gestão continuada com relatórios mensais de eficiência e de impacto ESG.
Quais indicadores a gestão hídrica do hospital deve acompanhar?
Um indicador geral e alguns por setor. O estudo de Brasília mostra como cada um se calcula e que valores encontrou:
| Indicador | Para que serve | Valor no hospital de Brasília |
|---|---|---|
| Litros por leito por dia | Comparar o hospital com ele mesmo e com outros | 855 |
| Litros por pessoa por dia | Considerar funcionários, pacientes e visitantes | 113 |
| Litros por m² construído por dia | Comparar prédios de tamanhos diferentes | 11 |
| Litros por kg de roupa lavada | Acompanhar a lavanderia | 26 |
| Litros por refeição | Acompanhar a cozinha | 30 |
| Consumo da madrugada e do fim de semana | Achar vazamento e uso fora de hora | Comparar com o padrão do próprio hospital |
O consumo por leito entra também no relatório de sustentabilidade. Como levar os números de água ao relatório, com os indicadores do GRI 303, está em ESG e gestão hídrica, e o roteiro para qualquer organização, no guia de economia de água nas empresas.
Perguntas frequentes
Quanto de água um hospital gasta por dia?
Depende do porte e do perfil. O Hospital de Apoio de Brasília, com 59 leitos, consumia em média cerca de 1.500 m³ por mês, ou 855 litros por leito por dia. Estudos de outros hospitais encontraram de 1.093 a 1.618 litros por leito por dia.
Qual setor do hospital mais gasta água?
No hospital estudado em Brasília, a manutenção, a lavagem e a limpeza (23%) e os banheiros dos funcionários (22%), à frente da cozinha (17%) e da assistência médica (14%). Por uso final, as bacias sanitárias lideram, com 23% da água.
Vazamento é comum em hospital?
É, sobretudo em prédio antigo. No hospital de Brasília, 13 pontos vazavam sem parar e levavam 10% do consumo. No Instituto do Coração, corrigir os vazamentos reduziu o consumo por leito em 28%.
Como economizar água no hospital protegendo o controle de infecção?
Concentrando as mudanças fora da assistência: vazamentos, bacias, lavanderia, cozinha, climatização e reservatórios. Nas áreas assistenciais, qualquer troca de torneira ou de rotina passa antes pela comissão de controle de infecção do hospital.
Hospital pode usar água de reúso ou de chuva?
Pode, nos usos que não exigem água potável, como rega, lavagem de áreas externas e descargas com instalação própria. Hospitais universitários no Paraná e em São Carlos estudaram o reúso da água da lavanderia e o aproveitamento da chuva, com reservatório e rede separados da água potável.
Fontes
- Santana, L.; Sant’Ana, D. Análise dos usos finais de água em hospital público de Brasília, Brasil. Engenharia Sanitária e Ambiental, v. 28, 2023: consumo por leito, usos finais, vazamentos e a revisão dos estudos do Instituto do Coração, do Paraná, de São Carlos e da Índia
- Silva, G. S.; Tamaki, H. O.; Gonçalves, O. M. Implementação de programas de uso racional da água em campi universitários. Ambiente Construído, v. 6, n. 1, 2006: resultado do Hospital Universitário da USP e perda dos destiladores
- EPA WaterSense, Types of Facilities: os maiores usos de água nos hospitais americanos
- Case Rede D’Or: 16,5% menos água em 40 hospitais, com os números do relatório de sustentabilidade da rede (padrão GRI, 2025)
- TDRR e SEA 360º da T&D
Publicado originalmente em 27 de março de 2025. Atualizado em 15 de outubro de 2026.