Economia de água em shopping centers: como reduzir custos e aumentar a eficiência
Num shopping estudado pela UFES, a torre de resfriamento, os restaurantes e os banheiros levaram 76% da água, e metade do consumo ia para usos que dispensam água potável. Veja onde cortar em cada um, quanto o reúso, a chuva e a água do ar-condicionado conseguem cobrir e como medir o resultado.
Por T&D Sustentável 10 min de leitura
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- Para onde vai a água de um shopping center?
- Como economizar água na torre de resfriamento?
- Como reduzir o consumo de água na praça de alimentação?
- Como economizar água nos banheiros do shopping?
- Quanto da água do shopping pode vir de reúso, chuva e condensação?
- Como medir e manter a economia de água no shopping?
- Como a T&D ajuda shoppings a economizar água?
- Perguntas frequentes
- Fontes
Economia de água em shopping centers depende de três pontos: a torre de resfriamento do ar-condicionado, a praça de alimentação e os banheiros. No Shopping Center Vila Velha (ES), estudado na Universidade Federal do Espírito Santo, os três somaram 76% do consumo, e metade de toda a água ia para usos que não precisam de água potável. Reduzir custos e ganhar eficiência, num shopping, é atacar esses três pontos e trocar a água potável por fonte alternativa onde ela não faz falta.
Em resumo:
- No shopping estudado, a torre de resfriamento levou 31% da água, os restaurantes 30% e os banheiros 16%.
- Em outros shoppings citados no mesmo estudo, a praça de alimentação chegou a 38% e os banheiros a 40%: o perfil muda, os três maiores consumidores não.
- Na torre, subir os ciclos de concentração de 3 para 6 reduz em 20% a água de reposição, segundo a EPA.
- Metade da água do shopping ia para usos não potáveis. Água cinza tratada, água de chuva e a água que o ar-condicionado condensa cobririam 84% dessa demanda: 46 mil m³ a menos por ano comprados da concessionária.
- O teste do corante achou vazamento em 29 de 54 bacias, mas a perda somava 0,1% do consumo. Em shopping com manutenção em dia, o desafio é manter.
Para onde vai a água de um shopping center?
Para o ar-condicionado, a comida e os banheiros. A pesquisadora Fernanda Guzzo mediu, atividade por atividade, o consumo do Shopping Center Vila Velha, com hipermercado, praça de alimentação, cinema e área de eventos, que somava cerca de 9.250 m³ por mês:
| Uso | Parte do consumo | Onde está a economia |
|---|---|---|
| Torre de resfriamento | 31,0% | Ciclos de concentração, controle da purga, água de reposição não potável |
| Restaurantes | 29,8% | Ducha de pré-lavagem eficiente, lavagem sem água corrente, medição por loja |
| Banheiros | 15,6% | Bacias e mictórios eficientes, torneiras automáticas, descarga com água de reúso |
| Supermercado | 7,8% | Medição própria e rotinas de limpeza e de preparo |
| Lojas | 6,0% | Medição por loja e arejadores |
| Demais usos (cinema, eventos, salão de beleza, lavanderia, academia e outros) | 9,9% | Medição e acompanhamento |
Os números variam de um shopping para outro, mas os três primeiros se repetem. Nos estudos de São Paulo reunidos pela autora, a torre ficou entre 14% e 20% do consumo, os restaurantes entre 30% e 38% e os banheiros chegaram a 40%. Num estudo do Rio Sul, no Rio de Janeiro, a refrigeração respondia por 24%.
Como economizar água na torre de resfriamento?
Controlando quanto ela joga fora. A torre resfria a água do ar-condicionado evaporando parte dela, e a evaporação deixa para trás sais que precisam sair pela purga, a água descartada. A EPA, que aponta as torres como o maior uso de água em muitos prédios comerciais, com 20% a 50% ou mais do consumo, recomenda:
- Medir a reposição e a purga. Um medidor em cada linha mostra quanto a torre consome e permite calcular os ciclos de concentração.
- Subir os ciclos de concentração. Muitos sistemas trabalham com 2 a 4 ciclos, e 6 ou mais podem ser possíveis. Passar de 3 para 6 reduz em 20% a água de reposição e em 50% a purga.
- Automatizar a purga por condutividade. O controlador mede a condutividade da água e só abre a purga quando ela passa do ponto definido com a empresa de tratamento químico.
- Tratar a água. pH, alcalinidade, dureza, crescimento microbiano e corrosão precisam de controle, ou os ciclos não sobem sem estragar o equipamento.
- Usar fonte alternativa na reposição. A água da torre não precisa ser potável, e no shopping estudado pela UFES a torre era a maior das demandas que dispensam água potável.
Como reduzir o consumo de água na praça de alimentação?
Medindo cada restaurante e mudando a lavagem. A cozinha comercial gasta a maior parte da água na lavagem: segundo a EPA, a ducha de pré-lavagem, aquela que tira os restos antes da máquina, responde por quase um terço da água de uma cozinha comercial típica. Nos Estados Unidos, duchas anteriores a 2005 chegam a 17 litros por minuto, e as vendidas hoje usam no máximo 4,8.
O shopping não opera as cozinhas, mas define as regras:
- Medidor por loja. Com o hidrômetro de cada restaurante lido todo mês e a cobrança pelo consumo, quem desperdiça paga, e o lojista passa a ter motivo para economizar.
- Padrão técnico nas reformas. O caderno de obras do lojista pode exigir ducha de pré-lavagem eficiente, arejadores e equipamentos de menor consumo.
- Rotina de lavagem. Raspar os restos antes de enxaguar, não descongelar alimento em água corrente e lavar piso com rodo e balde, e não com mangueira.
As medidas de cozinha, uma a uma, estão em economia de água em restaurantes.
Como economizar água nos banheiros do shopping?
Cuidando das descargas, porque é para elas que vai quase toda a água. No banheiro que a pesquisa da UFES mediu em separado, longe da praça de alimentação e com torneiras de sensor, as pias levavam só 4% do consumo; descargas e bebedouro, 96%. Num shopping de São Paulo, perto da praça de alimentação, as pias chegaram a 27%.
- Bacias e mictórios eficientes, com válvulas reguladas e manutenção frequente.
- Torneiras de sensor ou de fechamento automático, sobretudo nos banheiros perto da praça de alimentação, onde as pias pesam mais.
- Teste do corante todo mês. No shopping estudado, 29 das 54 bacias de um conjunto de banheiros vazavam. A perda era pequena, segundo a autora provavelmente porque o prédio era novo e tinha manutenção periódica, e é a rotina que mantém o vazamento pequeno.
- Água de reúso nas descargas. Como quase toda a água do banheiro vai para as descargas, é ali que a fonte alternativa rende mais.
Quanto da água do shopping pode vir de reúso, chuva e condensação?
Até metade, em tese. No shopping estudado, a demanda que dispensa água potável (torre, descargas e lavagem) somava cerca de 50% do consumo. A pesquisa calculou quanto cada fonte alternativa cobriria:
| Fonte alternativa | Volume disponível | O que cobre da demanda não potável |
|---|---|---|
| Água cinza tratada, das pias e de usos parecidos | Cerca de 11,3 mil m³ por ano | 20% |
| Água condensada pelo ar-condicionado | Cerca de 3,5 mil m³ por ano | 6% |
| Água de chuva do telhado | Cerca de 65 mil m³ por ano em potencial | 118% no papel, com falhas nos meses secos |
| As três juntas, com os reservatórios existentes | 46,3 mil m³ por ano | 84% |
A água de chuva sozinha cobriria toda a demanda no papel, graças ao telhado enorme do shopping, mas falharia em cinco meses do ano, quando não chove o suficiente. Juntas, as três fontes cobrem 84%, e o shopping deixaria de comprar 46 mil m³ por ano. Um detalhe curioso do estudo: cada tonelada de refrigeração do ar-condicionado condensa cerca de 5,8 litros de água por dia.
Reúso exige projeto, tratamento, rede separada da água potável e manutenção, e a água de chuva segue a norma da ABNT para aproveitamento em usos não potáveis, a NBR 15527. Por isso o reúso vem depois do básico: medição, vazamentos e equipamentos eficientes.
Como medir e manter a economia de água no shopping?
Com medição por atividade e um olho na madrugada. A pesquisa da UFES instalou medidores em cada grande uso e acompanhou o consumo entre 2 e 5 horas da manhã, com o shopping fechado, para estimar os vazamentos. É o mesmo método que funciona no dia a dia:
- Medidores por atividade: torre, praça de alimentação, banheiros, supermercado, lojas e áreas técnicas.
- Consumo diário e noturno: com o shopping fechado, o que o medidor registra é vazamento ou uso esquecido.
- Indicadores mensais: consumo por atividade e por loja, comparado com o mesmo mês do ano anterior.
- Rotina de manutenção: teste das bacias, regulagem das boias das caixas d’água e leitura dos relatórios do tratamento da torre.
O roteiro completo, das medidas rápidas à gestão contínua, está no guia de economia de água nas empresas.
Como a T&D ajuda shoppings a economizar água?
Com o SEA 360º, que atende shoppings e grandes centros comerciais em duas fases. Na implementação, sem obras, entram a linha de base pelo protocolo IPMVP, a tecnologia de eficiência nos pontos de consumo, o caça-vazamento eletrônico, os reparos e a capacitação da manutenção. Na gestão continuada, a T&D acompanha o consumo e entrega relatórios mensais de eficiência financeira, operacional e de impacto ESG. O teto observado no programa completo é de 70% de redução, e o resultado de cada shopping é apurado sobre a linha de base do próprio prédio.
O monitoramento remoto TDRR acompanha reservatórios, bombas e o consumo hora a hora, com alerta por aplicativo, SMS ou WhatsApp, e a GCI faz a leitura mensal dos medidores de cada loja, com foto de cada leitura. Depois dos primeiros resultados, o SEA+ usa a economia gerada para financiar projetos maiores, como reúso e aproveitamento de água de chuva.
Perguntas frequentes
Qual é o maior consumo de água de um shopping?
A torre de resfriamento do ar-condicionado ou a praça de alimentação, conforme o shopping. No Shopping Center Vila Velha, a torre levou 31% e os restaurantes, 30%. Em estudos de São Paulo, a praça de alimentação chegou a 38%. Os banheiros vêm logo depois.
O shopping pode cobrar a água de cada loja pelo consumo?
Pode, com medidor por loja e a regra prevista no contrato ou no regimento interno. A leitura mensal documentada, com foto de cada medidor, evita discussão e dá ao lojista motivo para economizar.
Dá para usar água de reúso na torre de resfriamento?
Dá. A torre não precisa de água potável, e no shopping estudado pela UFES ela era a maior das demandas que dispensam água potável. A qualidade da água precisa ser controlada junto com a empresa de tratamento, para evitar incrustação, corrosão e crescimento de microrganismos.
O ar-condicionado do shopping produz água?
Produz, ao condensar a umidade do ar. No shopping estudado, cada tonelada de refrigeração condensava cerca de 5,8 litros por dia, o que somava perto de 3,5 mil m³ por ano. É pouco perto do consumo total, mas é água que pode abastecer a torre ou as descargas.
Como saber se o shopping tem vazamento?
Pela leitura dos medidores de madrugada, com o shopping fechado, e pelo teste do corante nas bacias. Consumo noturno acima do padrão é sinal de perda. O passo a passo está em vazamento oculto: 7 sinais e como achar sem quebrar parede.
Fontes
- Guzzo, F. R. Estratégias para conservação de água potável através do aproveitamento de fontes não potáveis em uma edificação comercial de grande porte. Dissertação, Universidade Federal do Espírito Santo, 2017: consumo por atividade do Shopping Center Vila Velha, vazamentos, fontes alternativas e comparação com outros shoppings
- EPA WaterSense at Work, seção 6.3, Cooling Towers: participação das torres no consumo, ciclos de concentração e controle da purga
- EPA WaterSense at Work, seção 4.1, Pre-Rinse Spray Valves (2023): peso da ducha de pré-lavagem na cozinha comercial
- SEA 360º, TDRR e GCI da T&D
Publicado originalmente em 25 de março de 2025. Atualizado em 15 de outubro de 2026.